13 Maio 2008

Olha a discriminação!

Em pleno século XXI ainda temos que conviver com homens e mulheres ganhando salários diferentes para desempenhar o mesmo trabalho:

Segundo Carlão, os homens recebem bem menos que as mulheres nas cenas. "Geralmente o homem ganha metade que a mulher. Mas a Leila está em outro patamar. Não sei quanto ela ganhou, mas acredito que tenha sido algumas vezes o meu cachê".

Igualdade de direitos já!

12 Maio 2008

Quando é para valer...

... Assuntos "prioritários" como o Aquecimento Global ficam em segundo plano.

CLEAR FORK, Estados Unidos (Reuters) - Tanto Hillary Clinton quanto Barack Obama estão falando menos em aquecimento global e preferindo termos como "carvão limpo" ao discursar para eleitores da Virgínia Ocidental e do Kentucky - dois Estados que estão no coração da economia carvoeira dos EUA.

Política é um troço muito engraçado.

Bravo

Sabe quando você tem um texto na cabeça mas não o talento para torná-lo algo concreto? Pois bem, graças ao meu xará, descobri que alguém fez isso pra mim:

The upshot: If you and I feel equally successful but you make four times as much as I do, we will be equally happy about our lives. Of course, successful people make more money than unsuccessful people, on average. But it is the success—not the money per se—that is giving them the happiness. I have no doubt that some people do get pleasure from lording their higher incomes over others. But the evidence says this is not the biggest reason that having more than others gives us happiness.

Financial status is the way we demonstrate to others (and ourselves) that we are successful—hence the fancy watches, the expensive cars, and the bespoke suits. We use these things to show other people not just that we are prosperous, but that we are prosperous because we create value.

There is nothing strange about measuring our success with money; we measure things indirectly all the time. I require my students to take exams not because I believe their scores have any inherent value, but because I know these scores correlate extremely well with how much they have studied and how well they understand the material. Your doctor draws your blood to check your cholesterol not because blood cholesterol is interesting in and of itself, but because it measures your risk of having a heart attack or a stroke. In the same way, we measure our professional success with green pieces of paper called “dollars.”

11 Maio 2008

Rio Favela

O que me espanta não é que isso aconteça numa cidade-favela como o Rio de Janeiro, mas que as pessoas ainda se surpreendam com o fato.

O carioca é um bicho engraçado demais.

JP Coutinho

Uma das grandes cabeças da atualidade (parece até panfleto promocional):

Durante cinquenta anos, a obra de Steiner perseguiu uma pergunta curial: como foi possível a uma civilização que se julgava intelectualmente avançada descer ao abismo do horror no século XX? A pergunta faz sentido sobretudo para quem sempre depositou na "cultura" uma fé profundamente optimista. E, no entanto, é possível encontrar exemplos de homens cultos que, depois de uma sonata de Schubert ou de umas páginas de Flaubert, acordavam no dia seguinte e iam gasear judeus com entusiasmo burocrático.

Se a cultura não nos torna mais "humanos", para que serve a cultura, afinal?

Disse que a pergunta é inevitável para um humanista porque ela questiona directamente a estrutura intelectual do Ocidente, isto é, a ideia de que o conhecimento é virtude. Mas a pergunta será ainda mais premente num humanista judeu: para Steiner, a identidade judaica não se define por um qualquer apelo à religião, ou à "raça" (termo equívoco, eu sei). O "judeu" é aquele que mantém com a palavra escrita uma relação vital. Foi essa relação que lhe permitiu viver, e sobreviver, ao longo de séculos de perseguições.

Resta, assim, uma última e terrível hipótese: a cultura, fonte de "humanização", pode também revelar-se um instrumento de desumanização". Essa hipótese é levantada por Steiner num breve ensaio que a Gradiva publicou entre nós. Intitula-se "O Silêncio dos Livros" e, depois de uma viagem histórica sobre a leitura e os seus inimigos (humanos, físicos, bélicos, tecnológicos), Steiner levanta esse paradoxo: o contacto habitual com a intensidade das grandes obras pode tornar os homens insensíveis à banal realidade. Num outro livro, Steiner define esse paradoxo como "o paradoxo de Cordélia", em referência directa à personagem do bardo: será que existe no mundo um grito tão pungente como aquele que Lear lança à sua filha tão amada?

Às vezes, é preferível não responder a certas questões. Como diria um velho filósofo inglês, encontrar a verdade não significa que ela será confortável.

07 Maio 2008

Índio é tão legal...

... Lá em Roraima! Aqui não!

A presença do grupo de guaranis, que chegou há três meses de Paraty, no Sul fluminense, provocou insatisfação entre os moradores de Camboinhas. Foram eles que acionaram o MP por intermédio da Sociedade Pró-Preservação Urbanística e Ecológica de Camboinhas (Soprecam).

Os residentes de Camboinhas alegam que a presença da tribo está desrespeitando uma lei federal de agosto de 2006. Esta norma teria transformado o local onde está fixada a aldeia em área de preservação permanente, onde nada poderia ser construído.

05 Maio 2008

Cedendo à tentação

Quando alguém adquire uma platéia - ou acha que adquiriu - fica difícil ceder à tentação de não ser desonesto, intelectualmente falando.

Reinaldo Azevedo defendeu a proibição da tal Marcha da Maconha.

Podemos passar anos discutindo essa posição, com excelentes argumentos de ambos os lados. Mas daí a afirmar que ele disse que quem a legalização das drogas deve ir preso, vai uma distância abissal.

Discordar sim, mas pelo menos discorde do que a pessoa realmente afirmou.

Fiscais do Sarney - Reloaded

Consumidor deve denunciar postos que aumentarem preço da gasolina, afirma Lula

- Feito um jogo combinado: o aumento com desconto na Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico] e isso diminui o efeito do aumento. É importante as pessoas ficarem atentas. A gasolina não aumenta nada no posto. Se algum posto estiver aumentando, as pessoas podem denunciar, porque [a gasolina] não aumenta nada e o óleo diesel aumenta 8,8% - disse Lula em seu programa semanal de rádio Café com o Presidente.

E este nosso período paleocapitalista que não termina nunca?

House

Você não sabe como pode gostar tanto de uma série onde o protagonista é um tipo como House?

Talvez este excelente texto ajude a clarear suas idéias.

Homem de Ferro (a última, eu prometo)

Já perdi muito tempo com essa bobagem, mas é que ela está desencadeando uma reação em cadeia de tal magnitude que é impossível ler certas coisas e deixar passar em branco.

Dessa vez a crítica do filme é nacional:

Este trecho tem alguns acertos e um erro gravíssimo:


Pra começar, eles têm um entendimento excepcional de quem é Tony Stark e suas motivações, peneirando todas as suas fases e tirando daí para a competente trama de origem apenas o que há de mais interessante e guardando outros momentos importantes para a inevitável (e desejada, claro!) continuação. O bilionário da indústria bélica não é um herói no sentido convencional da palavra - nunca foi (ao menos quando bem trabalhado). Ele age como um herói visando o (sic) reconhecimento, saciando a própria vaidade, e não por altruísmo, como um Super-Homem. E o filme acerta esse aspecto na mosca.

Note como Stark só se envolve nos conflitos depois que eles o atingem de alguma maneira; ou como só decide sair de sua garagem, onde cria as incríveis armaduras que povoam o filme, depois de perceber que está sendo passado para trás. Stark é um vencedor, um cientista, um conquistador e, principalmente, alguém dificílimo de se relacionar.

Primeiro os acertos: Stark é, de fato, um vencedor, um cientista e um conquistador.

O erro grave na análise é a motivação de Stark: não precisa ser fanático pelos quadrinhos, está tudo lá no filme. Será que o crítico viu a película?

Tony Stark era tudo aquilo que ele falou e mais um pouco: não queria saber como o dinheiro que chegava em sua conta bancária era gerado. Se iludia com a afirmação de que era um patriota e que suas armas salvavam vidas americanas. Tudo até o dia em que sofreu uma emboscada e os soldados que o escoltavam, com os quais já estabelecera uma rápida simpatia, foram brutalmente mortos, tentando defendê-lo. A última coisa que ele viu antes de ser nocauteado foi uma bomba com o logotipo de sua empresa cair ao seu lado.

No cativeiro ele conhece a pessoa que o faz pensar sobre tudo isso. Tem contato com a lealdade e, principalmente, o sacrifício.

Quando volta aos EUA, após escapar dos terroristas, ele não poderia ser mais claro: vai parar de fabricar armamentos e sua empresa vai fazer algo mais que "explodir coisas". Sim, Tony Stark mudou sua perspectiva do mundo, mas nem por isso ele precisa se tornar um chato, uma pessoa desinteressante ou um coitadinho como Peter - chato bagaray - Parker. Ele continua vaidoso, mulherengo, bon vivant. E sim, ele gosta do reconhecimento que lhe trouxe o Homem de Ferro. Mas o filme deixa claro, mesmo para quem nunca viu o personagem mais gordo, que houve uma mudança em Tony Stark e, na verdade, a mudança mais importante.

Quando ele volta ao oriente médio para combater os terroristas, não foi porque ele foi passado para trás, mas porque as suas armas estavam sendo usadas para massacrar um vilarejo. Lá chegando ele não saiu botando tudo abaixo. Quando vidas inocentes foram colocadas na linha de fogo ele agiu com a preocupação e com a firmeza esperadas dos heróis.

Resumindo, o Homem de Ferro é sim um super-herói no sentido clássico. A única diferença é que Tony Stark não é o chato de galochas Peter Park e nem precisa fazer contas para pagar o aluguel de uma espelunca no final do mês. Isso sim, talvez gere alguma dissonância na cabeça das pessoas. Afinal, fomos treinados desde pequeninos para acreditar que pessoas ricas são malvadas ou, na melhor das hipóteses, egoístas.

Homem de Ferro dispara avalanche de tolices

Comic Books não são assuntos muito sérios. Entretanto, como tudo na vida, eles são criados dentro de um contexto específico. Alguns dos principais super-heróis da Marvel surgiram durante a Guerra Fria. Não é de se espantar que alguns deles tivessem como vilão aquilo que era visto como o Mal da época, o Comunismo.

Um leitor (valeu, Alessandro!) mandou-me um artigo da Slate sobre o filme e o personagem. O artigo poderia explorar o contexto no qual surgiu o Homem de Ferro e o fez. Mas com aquela ótica esquerdista de sempre (capitalistas são indivíduos maus e egoístas que precisam ser dominados pelo governo. Inclusive há uma citação de Alan Greespan no início do artigo defendendo esta posição).

No artigo, Homem de Ferro enfrentava os vilões apenas para favorecer as empresas Stark, destruindo os competidores da empresa. Para o autor, o fato de os vilões depois se revelarem maníacos homicidas era apenas para validar o ataque inicial do Homem de Ferro motivado pela ganância.

Empregados preguiçosos eram despedidos (Oh! Crime dos crimes!). Segundo o artigo - não lembro mais, li essas coisas quando era garoto - esses ex-empregados se transformavam em vilões o que servia para justificar a política de recursos humanos de Stark. Ora, uma coisa nada tem a ver com a outra - me supreende quão incapazes de estabelecer raciocínios lógicos são essas pessoas. Se o funcionário demitido era maluco ou mau-caráter e passou a querer matar todo mundo, deve ser impedido com todos os meios que forem necessários e para isso havia o Homem de Ferro. Eram duas esferas diferentes, embora um evento tenha disparado outro. Será que o autor estaria justificando o fato de alguém sair matando as pessoas a torto e a direito porque foi demitido do trabalho? Não creio, mas não me surpreenderia.

A conclusão do artigo poderia ser escrita por qualquer universitário brasileiro semi-alfabetizado entre uma rodada e outra de sueca no Centro acadêmico (grifos meus):

Even now, Iron Man represents Stan Lee's adolescent dog-eat-dog version of capitalism, the version that appeals to our "might makes right" monkey brains: Innovation is good; monopolies rock when we run them, suck when we don't; big corporations need CEOs rich enough to own space jets; and regulations should be a result of the CEOs' benevolence and wisdom, not imposed by outsiders. Tony Stark is a self-made man who believes that we can build ourselves out of trouble. He's one of America's romanticized lone inventors who, like Steve Jobs, solve problems by locking themselves away in secret workshops to emerge later with their paradigm-shifting inventions.

These days, the Iron Man comic book sells worse than not only the Hulk, Daredevil, Captain America, and Thor but the six different titles featuring Wolverine. So why an Iron Man movie? In a maneuver worthy of Tony Stark himself, Marvel Comics is producing Iron Man on its own after getting burned on licensing deals for the lucrative Spider-Man and X-Men franchises. Who's left in the stable? Captain America and Daredevil have already bombed on film, and the Hulk and Thor are in movies coming later this year, and so Iron Man it is. The Iron Man movie is a decision born of greed and pragmatism, a decision based on Marvel's best corporate interests. It's a purely capitalist decision, and according to Iron Man ethics, that makes it practically heroic.

Como podemos ver, não importa a bobagem, o esquerdismo pode torná-la ainda maior.

04 Maio 2008

Hein?!

Onde o autor deste texto viu isso no filme Homem de Ferro?


"Homem de Ferro" é estrelado por Downey, 43, interpretando o industrial bilionário e playboy Tony Stark, que enfrenta uma crise de meia-idade conforme cria uma armadura de alta tecnologia que o transforma em super-herói.

Certamente o autor nem deu uma espiada no filme. Ou então confundiu "crise de meia-idade" com "crise de consciência."

E ainda querem questionar a credibilidade dos blogs. Rá!

Modern soylent green

Sempre que vejo aquelas passeatas, cheias de deficientes na linha de frente, com cara de cão sem dono, a favor da pesquisa envolvendo células-tronco embrionárias eu fico com aquela sensação de que já vi isso antes.

Trata-se da moderna versão do Soylent Green. Somente coroas vão lembrar desse clássico da ficção - e eu espero que assim continue - científica.

[Spoiler: o parágrafo a seguir estraga a surpresa do filme]

Num futuro - 2022, agora não tão distante - a escassez de alimentos aflige o mundo. As pessoas são alimentadas por uma ração chamada "soylent green". Para encurtar a conversa, o protagonista do filme descobre que os tabletes de "soylent green" têm como matéria-prima os corpos das pessoas vítimas de "eutanásia". Mas não se escandalize, por favor: o procedimento é realizado em clínicas do governo para garantir uma morte digna, higiênica e - aham - agradável.

É engraçado tentar imaginar o contexto político deste filme, projetando o que vemos hoje em relação à pesquisa com células-tronco embrionárias (*): a Igreja recriminando a produção de alimento a partir de corpos humanos mortos pelo governo e vários grupos políticos fazendo pressão contra o obscurantismo religioso e promovendo passeatas cheias de famintos na linha de frente. Imagino os editoriais, repletos de "intelequituais" pomposos, discorrendo sobre como a ciência não pode ser obstruída e nos lembrando que o Estado é uma entidade laica.

A vida imita mesmo arte. (sempre quis usar essa frase!)

(*) É interessante reparar que a discussão malandramente se afastou do questionamento da existência ou não de vida humana num embrião. Usar como argumento a promessa de futuras possíveis curas de doenças, desprezando o que se está atropelando para consegui-las, me parece o mecanismo que o governo do filme utilizou para produzir o soylent green.

03 Maio 2008

Marketing one-to-one

Acabo de comprar dois CDs num famoso site de comércio eletrônico brasileiro. Em algum momento devo ter dado a entender que sou um consumidor extremamente eclético, pois a recomendação que eles me fizeram foi, digamos, peculiar:


Hein?!?!?

O amor $upera tudo

Família de Bia Antony perdoa Ronaldo

Rio - ”Como eu não posso querer bem a uma pessoa que só deu alegrias [!!!!] para a minha filha e para o meu País?”, disse-me ontem Magnólia Antony, mãe de Bia e sogra de Ronaldo Fenômeno. Mulher de fibra, potiguar das boas, Magui, como é conhecida por todos, diz que ama o ex-futuro genro “mais do que nunca” e que inclusive o convidou para ir à sua casa em Brasília depois do escândalo.

Grifos meus. Como se precisasse...

Guerra preventiva

Um dos principais argumentos dos liberais e libertários contra guerras preventivas é o de que uma nação somente deve se defender de ataques e nunca iniciá-los. Num passado distante eu estaria 100% de acordo. Naquele tempo era possível detectar um ataque e combatê-lo antes que ele causasse severos danos à população civil.

Nos dias de hoje confesso que não estou tão seguro dessa posição. Hoje temos armas químicas, biológicas e nucleares capazes de matar centenas de milhares de pessoas num piscar de olhos. Imagine um governante dando uma coletiva após um ataque nuclear que custou a vida de milhares de cidadãos do seu país:

- Senhor Presidente, como nossos serviços de inteligência não detectaram esse plano?
- Nós detectamos, mas não podemos atacar uma nação sem que tenhamos sido agredidos antes. Agora vamos partir para o contra-ataque!
- Agora? Depois de centenas de milhares de mortos?

Você acha esse questionamento do repórter fantasioso?

Além do avanço tecnológico das armas, há também maior capacidade logística. Uma nação pode dar pleno suporte a organizações terroristas e fazê-lo de modo totalmente imperceptível.

Tenho verdadeiro fascínio pela História americana e pelos ideais dos Founding Fathers. É um fato que a grande nação que vemos hoje foi construída naquela época por aquelas pessoas. Entretanto há que se reconhecer que aqueles tempos eram outros. Suas idéias foram ótimas para aqueles tempos e muitas delas são excelentes até hoje. Outras, porém, precisam ser ajustadas ao contexto atual.

Claro que isso não vem de graça. Uma guerra preventiva deve ser travada com o dobro, o triplo!, de cuidados de uma guerra normal. Afinal de contas, e se as informações levantadas pelos serviços de inteligência forem incorretas? São questões cruciais que devem atormentar a cabeça de quem governa uma nação: partir pro ataque e ser massacrado pela opinião pública? Aguardar a agressão para, então, contra-atacar e ser igualmente massacrado pela opinião pública?

Certamente são questões que devem tirar o sono de qualquer governante que não tenha uma imprensa chapa-branca como a nossa para lhe dar cobertura.